Fundado
em 1947, o município de Linhares está localizado a uma latitude
sul de 19,39111 e uma longitude oeste de Greenwich de 40,07222, numa região
conhecida como "Baixo Rio Doce". Possui uma área de 3.450 Km2,
sendo o maior município em área territorial do Estado do Espírito
Santo. É cortado, em toda a sua extensão, pela BR 101, rodovia
que interliga o Sul ao Nordeste do Brasil, e por onde são escoados os
principais produtos da região. O município está distante
130 km da capital do Espírito Santo, Vitória e 86 Km de São
Mateus.
Municípios limites:
Região Norte:
São Mateus, Jaguaré
e Sooretama;
Região Sul:
Aracruz;
Região Oeste:
Rio Bananal, Marilândia,
Colatina e João Neiva;
Região Leste:
Oceano Atlântico.
Possui 74 Km de litoral.
O Clima:
O
clima da região pode ser classificado de tropical quente úmido,
com chuvas no verão e inverno seco.
Devido à
modificação da paisagem, o clima está descaracterizado,
havendo ligeiro aumento das precipitações nos meses de inverno,
por causa da penetração das massas polares vindas do sul. Antigamente
a vegetação diminuía o ímpeto desta penetração
e, agora, nota-se certo desequilíbrio na primavera e verão, quando
são alternados os índices de maiores ou menores precipitações.
De acordo
com os dados fornecidos pela Estação Experimental Filogônio
Peixoto, Linhares - ES, a temperatura média em 10 anos (1968-1978) e
as precipitações pluviométricas, média em 10 anos,
são as seguintes:
Preciptação
pluviométrica: 1.193 mm, por ano. Meses mais chuvosos: janeiro, fevereiro,
outubro, novembro e dezembro; sendo que, a partir de 1979, vêm ocorrendo
modificações, com maiores preciptações em:
Janeiro;
Fevereiro;
Dezembro.
Também são os meses em que o calor é maior.
Hidrografia:
O município
de Linhares fica situado no que se convencionou chamar de Baixo Rio Doce. Além
do Rio Doce, o município possui outros cursos d'água. Entre os
principais citamos: Rio Juparanã, Rio São José, Rio Bananal,
Rio Ipiranga, Rio da Terra Alta, Rio Barra Seca (no limite entre Linhares e
São Mateus), Rio Cupido, Rio das Palmas, Rio das Palminhas, Rio da Lagoa
Nova, Rio Monsarás, Rio Quartel, Rio Comboios, Rio do Norte (no limite
entre Linhares e Ibiraçu), Rio dos Amarelos, Rio do Limão, Rio
das Piabinhas e ainda inúmeros córregos.
Ao norte
do Rio Doce, há uma série de lagoas alinhadas no sentido horizontal.
Estas lagoas, entre as quais está a Juparanã, são resultados
de vales alagados, gerados pela obstrução da desembocadura de
alguns afluentes do Rio Doce ocasionada pela enorme massa de sedimentos que
o mesmo deposita no seu curso inferior.
Relevo:
A altitude
média da sede do município é de 28 metros, com máxima
de 400 metros a oeste e 0 (zero) na costa atlântica. Toda a área
do distrito-sede (Linhares) fica localizada na planície do Rio Doce,
apresentando topografia plana com ruas e avenidas largas demarcadas de norte
a sul e de leste a oeste. Apenas a oeste entre Linhares e Colatina, ocorre o
surgimento de morros graníticos. À medida que se aproxima da costa
atlântica, observa-se incidência do grande terraço litorâneo,
formando um tabuleiro ou mesa: os platôs terciários. Ao norte do
Rio Doce, ainda no município surgem numerosos pontões ou "domos
cristalinos", que apenas se alteiam do tabuleiro. No meio da lagoa Juparanã,
eleva-se uma pequena ilha, Ilha do Imperador, que é um morro reclinado,
cuja altitude é inferior à do platô das margens do lago.
Ela foi destacada pela erosão fluvial, que cavou o leito ocupado hoje
pela lagoa. Próximo ao litoral, o mar construiu cordões arenosos
ou restingas, sempre paralelos à linha da costa, dificultando a drenagem
das águas do interior, formando zonas pantanosas e alagadiças.
Linhares é orlada por belas praias, situadas numa distância média
de 45 km da sede do município. As principais são: Pontal do Ipiranga,
Povoação e Regência.
Vegetação:
A maior
parte das florestas originais do município foi devastada. O desmatamento
começou no século XIX e foi intensificado no século XX.
Na região sul do Rio Doce, pouco ou nada resta da exuberante floresta
do passado. A região norte também sofreu sistemática destruição.
Durante muito tempo, a exploração da madeira foi uma das bases
econômicas do município.
Linhares
que, no passado, era totalmente coberta pela Mata Atlântica, tem hoje
apenas quatro reservas florestais: a Reserva Biológica de Sooretama,
a Reserva Florestal de Linhares, a Reserva de Comboios e a Reserva de Goitacazes.
Em algumas das áreas despidas da vegetação original, é
feito hoje o reflorestamento principalmente de eucaliptos.
No litoral
nota-se a presença de vegetação típica, própria
das regiões alagadiças, como a arbustiva ou rasteira. Na beira
do mar, próximo à foz do Rio Doce, são abundantes as "salsas
da praia, os guriris e o emaranhado de uma folhagem rasteira, castigada pelos
ventos marítimos; as castanheiras, as grumixameiras, as pitangueiras
e almesqueiras, as aroeiras e as ingás-mirins que sombreiam os gravatazais.
Essa capoeira rala, que se parece com a caatinga, se modifica para oeste até
apresentar os caules volumosos de troncos seculares", dos quais restam
tão poucos. Aí, no passado, destacavam-se, cobrindo as "cabeleiras
cintilantes das palmeiras, dos jeribás, dos palmitos, dos airis e dos
imburis" ... centenas de essências famosas. Enumeramos apenas algumas
como: "perobas, cedros, jacarandás, oiticicas, ipês, cerejeiras,
jequitibás, jatobás, vinháticos, sapucaias, braúnas,
parajus, canjeranas, embiribas, angelins, guarabus, paus-sangue, barrigas d'água
e paus brasil". Hoje, apreciar todas essas árvores, só é
possível nas reservas já referidas.
Fauna:
Dotado
de grande variedade de aves e animais - muitos em extinção, o
município foi, durante anos, o paraíso dos caçadores. Ceciliano
Abel de Almeida refere-se à fauna opulenta que ainda pôde apreciar
no início do século XX. Empolgado, cita:
"O papa-mel,
a raposa de astúcia requintada, o ouriço de pêlos agressivos,
a jaguatirica de pele apreciada, o catingueiro, a paca, o cágado prudente
e velhaco, o tatu cauteloso, o teitu-valentão, o queixada, a cutia, a
capivara, a anta, a onça-vermelha e pintada, veados, tacucos, zabelês,
capoeiras, jacus, tucanos, pica-paus, papagaios, araras, periquitos..., beija-flores,
bem-te-vis, sanhaços, garças brancas, jacupembas, cambaxirras,
sabiás, jutiris, rolas, surucuás, mutuns..." e tantas, tantas
outras. "Nos lugares sombreados, de bote preparado, ou serpenteando na
galhada das árvores: a jararacuçu, a ouricana, a caiçara,
a coral... a surucucu pico-de-jaca, a caninana... e outras não venenosas".
"Infestam a bacia do Rio Doce, miríades de rãs, sapos, aranhas,
escorpiões, mosquitos e vespas, borboletas e abelhas". E nas águas
dos rios e lagoas, voluteiam milhares de peixes e se "arrastam" as
célebres lagostas de água doce.
População:
A ocupação
real do município de Linhares começou a ganhar vulto, quando da
introdução do cacau. Com a abertura das vias de comunicação,
a partir de 1937, e após a construção da ponte, o processo
acelerou-se gradativamente até receber o impulso final depois do asfaltamento
da BR - 101. No Governo de Joaquim Calmon (1951 - 1955), numerosas famílias
italianas vieram estabelecer-se nos povoados do Município; os baianos
e mineiros, que sempre foram constantes aqui, continuaram a vir em migrações
contínuas, bem como indivíduos de quase todos os estados brasileiros.
SAAE
- Linhares - ES
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